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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Arte Naïf ganha museu virtual


Este ano, a arte naïf brasileira ganhou uma importante vitrine, com o lançamento do portal da colecionadora e pintora Tânea Pedrosa (www.taniapedrosa.com.br). A arte naïf é uma arte espontânea, pictórica ou escultural, desvinculada da tradição erudita convencional e de vanguarda, com fortes características popularescas na forma sempre figurativa, valendo-se de cores vivas e simbologia ingênua. Além de fervorosa colecionadora, Tânea Pedrosa é uma das principais referências brasileira e mundial desse tipo de arte não idealizada. Paralelo ao lançamento do portal, ela aproveita a oportunidade para realizar uma mostra da sua mais recente produção.
Será um grande evento e, sem dúvida, representa um marco para a produção artística de Alagoas, por que diz respeito à preservação e a valorização de uma representação artística tão pouco valorizada pelos nossos colecionadores e intelectuais. Centenas de dezenas de peças estão, atualmente, sendo catalogadas e editadas. Para, em seguida, todo o acervo ser qualifico. Segundo colecionadora alagoana, nessa qualificação será levando em consideração a região de origem da peça, o autor, a linguagem, o suporte, a religiosidade e todas as demais formas mundanas que compõem a arte naïf.
O museu virtual da coleção da arte nordestina de Tânea Pedrosa é uma experiência inédita no Brasil e também o resultado de mais de 40 anos de pesquisa e aquisição. É ainda uma solução para um drama que as representações pictóricas e esculturais brasileira enfrentam: a falta de espaço e de bibliografia que abrigem os acervos existentes. “Eu vivia sendo cobrada, direta ou indiretamente, a fazer um levantamento das peças e ter um espaço para expor o meu acervo”, justifica-se Tânea Pedrosa.
Atualmente, esse material ocupa cada metro quadrado de um apartamento duplex em Maceió. O espaço pode ser visitado, mas para isso a visita precisa ser agendada com bastante antecedência.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007


Oi, você está recebendo as atualizações que o Alvinho fez no blogg. Divirta-se com as coisas que ele diz e não esqueça de fazer seus cometários, sempre pertinentes...

Dois fatos chamaram minha atenção hoje: a morte da estudante durante a prática de tirolesa na praia do Francês e o incêndio em mais uma barraca da orla de Maceió.
A respeito da morte da estudante Carla Andrea, natural da cidade de Capela, na Zona da Mata de Alagoas, ela é mais uma vítima da irresponsabilidade em vários níveis: dela mesma, que, por imprudência (segundo parecer preliminar do capitão Buriti, do Corpo dos Bombeiros, durante entrevista na rádio CBN, ela não se amarrou direito e ao se lançar, caiu no vazio da torre da qual pulou). Andrea foi mais uma vítima da irresponsabilidade do serviço público, que mete a mão no nosso dinheiro e se omite das suas responsabilidades (a tirolesa estava instalada na praia há mais de um ano, apesar de não ter sido conferida a licença de funcionamento) não impediu a fatalidade. E, mais grave ainda, a estudante está sendo vítima do exagero da imprensa escrita, que pegando carona na tragédia carioca, tenta reverter Andrea na nossa tragédia local (A Gazeta de Alagoas mancheteou que "Tragégia mata estudante..."; essa é a primeira vez que um gênero literário é responsável pela morte de alguém - um exagero).
O outro fato diz respeito ao incêndio na barraca Tulipas na orla da Ponta Verde, litoral norte de Maceió. Em seis meses, segundo o corpo de bombeiros, foram três incêndios, que destruiram completamente os estabelecimentos comerciais instalados na orla. Tem a ver a com o planejamento urbano que sugeriu uma cobertura sujeita a incêndios; tem a ver com os proprietários que, desplicentemente, não liga para fiações descobertas e mau feitas.
Porém, por trás dessa (sim) tragédia humana ( há a questão do desemprego), a

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

sub-Papo com Delson Uchoa

A Pinacoteca da UFAL inicia temporada de exposições de 2007 com trabalhos do alagoano Delson Uchoa. A exposição terá o auxílio luxuoso da curadora Cristina Tejo, diretora do Museu de Arte Moderna do Recife. Delson falou para gente de suas mais recentes produções e de uma agenda “movimentadíssima” para este ano.

O que você vai mostrar nessa exposição?

Delson – a soma dos meus conhecimentos e dos caminhos que trilhei até agora.

No que você está trabalhando atualmente?

Delson - desde 2004, que eu testemunho morar dentro da pintura, para me apropriar do uso do viver dessa pintura. Depois de 2005, passei a descolar, a arrancar a pintura como uma pele, um couro, transpondo-a para lonas de algodão, para deixar um registro dessa vivência, em relação à arquitetura, a acidentes...

Em que o sol dos trópicos influencia a sua obra?

Delson – a identidade cromática tropical difere das demais. Ela me localiza no Brasil, no Nordeste e mais ainda no litoral leste, em Maceió. O assunto pode ser qualquer um em volta. Lanço mão da estridência cultural do Brasil, absurdamente colorida.

Sobre qual o suporte você traduz essas vivências?

Delson – o plástico e a luz alcançada através da combinação de cores. Usar o pigmento e disso fazer uso da imagem que ele (o pigmento) me oferece; transmigrar a cultura por outros suportes.

Como está sua agenda para esse ano? O que é que vai acontecer no MACNiteroi?

Delson – movimentadíssima. O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (www.macniteroi.com.br/) possui no seu acervo doze obras minhas. Adquiridas no auge da década de 80. Este ano, a curadoria do museu decidiu fazer uma releitura com um acréscimo contemporâneo dos meus trabalhos. Ainda para este ano, através de uma marchand minha amiga, eu vou entrar no calendário das feiras internacionais, para me lançar de vez no mercado de arte internacional.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Saudações terráqueos

Oi, você está recebendo as atualizações que o Alvinho fez no blogg. Divirta-se com as coisas que ele diz e não esqueça de fazer seus cometários, sempre pertinentes...

Fantasiado de ressaca moral

Decididamente, o Carnaval em Maceió acontece uma semana antes da data oficial que marca o calendário. Veja bem, eu disse acontece, não começa. Essa antecipação trata-se de um delírio, que foi crescendo, ganhando forma e apoio político, até se trtansformar no que é hoje. Um Carnaval de prévia.
Maceió é assim, tem personalidade própria, gosta de fazer as coisas do seu jeito.
Uma semana antes, cerca de 16 blocos desfilam, divididos entre a sexta-feira à noite e o sábado de manhã, numa disputa imaginário para ver quem é o mais animado. As marchinhas são as mesmas do tempo que o Carnaval no Brasil era rodar em círculo num salão de um clube social.
Depois dos desfile "prévios", o folião alagoano tem uma semana para optar sobre o que quer fazer: cair na folia de verdade, ou descansar em alguma beira de praia. Afinal, são mais de 200 km de lindas praias.
Todo ano é assim, alagoano que se preza, brinca o Carnaval fora de Maceió.
Porém, tem uma coisa que me incomoda todas as vezes: o que fazer com a fantasia, do desfile dos Filhinhos da Mamãe? (o bloco que eu saio sempre na prévias)
Esse é um problema de difícil solução.
Para começar, depois do desfile, ela passa dois dias encalhada na sala, ou no quarto, até definir qual destino dar. Se o lixo, ou a caixa.
As, vezes, dependendo, da inspiração, ela serve para ser usada durante a Lavagem do Beco do Rosário Estreito, tradicional baile de rua que acontece as sextas-feiras de Carnaval, na cidade de Penedo, na beira do São Francisco.
Quando a proposta é simples, como a fantasia de ladrão, de índio, soldado romano e por ai vai, beleza, rapidinho ela é guardada. Mas, nos anos que se investe na temática do folclore alagoano, o bicho pega.
O folclore alagoano é um dos mais rico em diversidade de folguedos e só perde no quesito luxo, para os enfeitados do maracatu pernambucano e os do bumba meu boi maranhense.
Este ano, nós apostamo no tema folguedo. Fedeu, né?
Para comemorar os 100 anos de Théo Brandão (museólogo e folclorista) e homenagear a morte do professor Ranilson França (folclorista) resolvemos fazer uma fantasia de guerreiro. Chapéu estilizado, com fitas de cetim coloridas, bordado com missangas e espelhos, acompanhado de saiote, com a pala também bordada com missangas e fitas de cetim coloridas penduradas. O resultado final ficou belo. À noite, aquele colorido acetinado realçou com a luz artifical das ruas, chamando a atenção por onde a gente passava. Éramos um bloco de seis pessoas.
Na verdade, o que me deixa mais angustiado com a fantasia estendida na minha sala, hoje, é que ela me faz lembrar a noite de bebedeira e irresponsabilidade que foi o desfile. Ela me lembra que eu estou de ressaca moral e profunda. Ela não me deixa esquecer que eu, advertidamente, estrapolei, por mais que eu tentasse me manter sóbrio e ligado. Ela, a fantasia, melhor do que ninguém me faz lembrar da culpa católica de entregar a carne à festa, mesmo quando não se é católico. Deixo-a ali, para ela me lembrar quem eu sou, na verdade, e o que o Carnaval quer dizer, finalmente.