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quarta-feira, 14 de março de 2007

Matéria publicada no site da Alina Amaral, considerado um templo do luxo e do bom gosto


Como era de se esperar, a rainha foi coroada. Parte pela sensibilidade de Sofia Coppola, parte pela super produção e parte pela ousadia da figurinista mais importante da atualidade, Milena Canonero – que recebeu sua terceira estatueta pelo primoroso Maria Antonieta.
Agradecendo a Stanley Kubrick em seu discurso, a italiana Canonero, considerada uma das mais perspicazes em sua área, mostrou maturidade e ousadia na medida exata. “Me voltei para uma Maria Antonieta jovem, rica, sem limites e vanguardista. Como se comportaria uma jovem com o mundo aos seus pés”, disse ela. Daí a ousadia do figurino que se distanciou da linearidade comum aos filmes de época. Em seu currículo, os longas Barry Lyndon, de Stanley Kubrick (1975) e Carruagens de Fogo (1980), de Hugh Hudson – os dois lhe rederam Oscar – e o mais emblemático e instigante de todos: Laranja Mecânica, também de Kubrick. A cult italiana deixou a ver navios os saltos e closet contemporâneo de de Patricia Fields em “O Diabo Veste Prada”, que voltou a indústria de cinema definitivamente para esta seara.
Para ambientar a rebelde e sem limites Maria Antonieta, Canonero buscou inspiração no século 18, época áurea da moda na França, e se apoderou da veia fashion de Sofia Copola amada pelos estilistas. A França que ditava moda e a rainha responsável pela criação de um calendário francês – com seu hábito de encomendar roupas aos mais variados costureiros, fomentando o mercado – foi o foco da figurinista. “Ser vanguarda era preciso”.
Elegância, suntuosidade, excesso eram adjetivos óbvios para a França rococó que vendeu sua imagem ao mundo com roupas complexas e elaboradas, mas, a rainha inventava moda e ai está a grande liberdade e ousadia de Canonero. Sem limites, esta rainha “customizava” seus vestidos com pérolas e diamantes, trocava de acessórios e complementos com avidez de uma top e mandava criar peças assinadas entre elas a sua coroa que foi criada pela Maison da época: Rose Bertin.Para este universo rico e cheio de possibilidade, Canonero escalou um time de tops, entre eles Karl Lagerfeld, Fendi e John Galliano com jóias são de Victorie de Castellane, da Dior. Nos pés a rainha só usa Manolo Blahnik, que é a marca das modernas e endinheiradas.
O figurino segue a vida de Maria Antonieta e cumpre sua função: traduzir intenções. Maria Antonieta menina usava azul e rosado; adolescente frívola, usa cores claras e quentes; a rainha decadente usa tons escuros. Em meio a esta construção, a loucura da rainha é retratada no uso ousado de um Converse azul, isso mesmo, um All Star em meio às centenas de sapatos Manolo. Aliás, o luxo e a loucura desta rainha são temas recorrentes de Vivienne Westwood a Dolce & Gabbana.