
Os tempos são outros.
Novas linguagens e maneiras de manifestar desejo, bem como visões do mundo, surgem a cada dia, impulsionadas por fatores individuais ou coletivos. O fato é que o ser humano sempre se utilizou de diversas manifestações artísticas para exprimir seus sentimentos ou para retratar sua realidade.
E não é novidade que essas diferentes formas de pensar e fazer sempre serviram de apoio e inspiração para os criadores, tanto no mainstream quanto no underground, simplesmente pelo fato de que as ruas se transformaram no maior celeiro étnico e multi-cultural da era moderna. Basta prestar atenção no caminho que os shows de moda e indústria especializada vem tomando, tudo em um sentido invertido: das ruas para a passarela. E as grandes marcas sabem bem disso e decupam bem esse fundamento.
Hoje em dia é bem comum o crescimento do que chamamos "Street Art". Diversas técnicas, artistas e cenários compõem este padrão cada vez mais presente no visual das grandes metrópoles. Inspirada no hip hop, na cultura de rua, na música e na realidade local, a street art se diversifica na forma de impressionantes grafites, lambs, stencils e nas mais criativas formas de intervenção / ocupação.
Rápida, universal e com vontade semiótica, a moda incorpora essa forma de expressão e também assume a função de disseminadora de novos pensamentos e novas informações. As formas de renovam, as fontes lembram a caligrafia rebuscada dos grafiteiros e surge aí um novo nicho no mercado formado principalmente de uma parcela jovem, antenada e faminta de novidades. Fresca e de desejo positivista, a mensagem sofre leitura por parte dos criadores e reaparece na forma de funcionais e inteligentes padronagens e estampas.
Na moda, esse fundamento assegura o que temos chamado de "efeito anti industrial" pelo menos no que diz respeito ao tratamento que a programação visual recebe. Com o advento da terceirização e licenciamento, a produção de moda se tornou "lugar comum" perdendo boa parte do caráter inovador e único.
Se o efeito "Giselle" na C&A alavancou vendas consideravelmente a algum tempo atrás, tornou em contrapartida populares demais os seus produtos. Maiores e menores marcas fizeram o mesmo. Resultado: ficou impossível sair na rua sem topar com alguém com um "modelo parecido com o seu". A perda da identidade se tornou inevitável trazendo a importância da stree art: revitalizar, trazer novas leituras e novo fôlego na moda. O maior exemplo disso é o surgimento dos produtos chamados "premium" na moda, onde a volta do desejo de exclusividade fala mais forte, com peças bem trabalhadas, customizadas e com cara única.
Seguindo a tendência de customização do jeans, onde o fundamento "premium" justifica o trabalho de lavanderia e programação visual, que garante o aspecto de peça única e exclusiva, mesmo produzida industrialmente, os moletons ganham força nesse quesito e assumem status de estrelas.



Nenhum comentário:
Postar um comentário